"So long since you've been missing (8)"
A melhor parte da vida de uma pessoa é a infância, onde ninguém sabe o que é o amor, ninguém sabe o que é sofrer, só se chora por fome e coco na fralda. E quando sua vida já começa difícil? Seu pai é separado da sua mãe antes de você mesma nascer. Abandono? Não sei, é dificil falar disso aqui. Depois de um acontecimento ruim com o meu pai, ele se mudou pra Minas Gerais já faz uns seis anos. E começou a me ver de um em um mês, com o tempo, de dois em dois meses. Chegou um ano que foi de seis em seis meses, e depois de eu tanto reclamar, mudou pra três em três meses. Infelizmente, por conta da elevada saudade que eu comecei a sentir de meu pai, comecei a sofrer com isso e comecei a cobrar presença de outros que não são obrigados a ouvir minhas crises nem estar ao meu lado. Tivemos uma briga recente por conta disso de novo e ele ainda pensa que está tudo bem. Outro dia, eu estava deitada na minha cama, refletindo de como foi bom enquanto eu tinha meu pai por 'perto'. Eu ainda era filha única, meu pai me buscava todo final de semana aqui em casa, assim que eu dobrava o corredor e via ele parado na porta, eu gritava alto e meus olhos brilhavam, meu coração batia rápido. - Era meu Pai! - Eu pensava a cada vez que eu via seu rosto, era mágico pra mim ter duas casas, meu pai morava num condomínio bonito, com quadra, piscina, um campo enorme, eu dava comida pros patinhos, tinha uma amiga muito fofa chamada Ísis, quando eu ia pra lá a gente não se desgrudava, eu corria pra todo lado, meu pai me comprava sempre um sorvete, quando ia pro tênis, passava na piscina pra me dar um beijo e falar que eu podia pegar a minha tão adorada torta crocante. Eu zoava muuuuuito ele com a minha madrasta dizendo que o pé dele era torto e que ele era um bobalhão. A gente tinha um cachorrinho chamado Flick, ele era um Yorkshire, lindo lindo, eu o amava muito, não largava o Flick por nada no mundo. Eu não me preocupava com as notas, não me procupava com os problemas dos adultos, porque o problema de um adulto nunca vai ser o de uma criança. Meu pai me levava pra ver meus primos e a gente brincava direto. E quando eu voltava pro apartamento, eu só virava pro lado e dormia. Quando chegava o domingo, era o dia de voltar pra casa. Era o fim do mundo pra mim, eu queria porque queria ficar com o meu pai e enquanto a gente ficava no carro ouvindo o CD do peixe encantado eu tomava um sorvetão de chocolate pra não chorar. E no outro final de semana tudo se repetia. Até que a minha madrasta ficou grávida, como assim? Eu ia ter uma irmã, eu ia ter que dividir a pessoa que eu mais tinha falta. Bom, meu pai teve a minha irmã e eu tive que aceitar, com o tempo, por pior/melhor que eu tratasse ela, eu sempre achei que ela era a preferida. Aliás, ela mora com ele, ele dá tudo pra ela, ele vê ela todo dia, dá beijo e abraço. Agora ela tem tudo o que eu tinha. Mas não vim pra reclamar o que ela supostamente 'roubou' de mim e sim como quanto mais a gente se afasta, mais eu quero voltar aquela época na qual eu era tudo pra ele e ele era tudo pra mim..

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