"imagine all the people living life in peace"
Meu nome é *Silvete, tenho 32** anos, sou casada e tenho dois filhos. Minha filha está grávida em plenos 19 anos e ando desesperada. Meu marido trabalha todas as manhãs e tardes para sustentar esta casa, é um homem de bem que se preocupa com os filhos e com o estado da casa. Mas não diferentemente de muitos homens, ele é machista. A primeira coisa que ele não sabia é que nossa filha estava grávida, mas é claro que os fatos vão aumentando, se é que me entende. Segunda coisa que ele não sabia é que o filho planejava entrar pra o tráfico, mas isso era algo que eu pretendia contar. Finalmente a terceira coisa que ele não sabia, eu trabalhava escondida para que pudéssemos ter dinheiro para roupas e manuntenções. A noite eu estava voltando para casa porque tinha me atrasado no trabalho, estava exercendo algo como professora de maternal que não precisava de muita experiência, somente convívio com crianças. Chegando em casa, ele estava lá, minha filha estava no chão desmaiada e o irmão não estava em casa. Arregalei os olhos e fui ao encontro de minha filha. Antes que pudesse alcançá-la ele me agarrou pelo braço e gritou: "VOCÊ SABIA? VOCÊ SABIA QUE ESSA VADIA ESTAVA GRÁVIDA?". Eu não podia mentir, mas tinha... Minhas lágrimas entregaram minha culpa e seu punho já tinha alcançado meu rosto, estava tonta no chão quando meu filho chegou e conseguiu impedir meu marido de que continuasse a me bater. Saiu certamente irritado e sem observar o fato de que eu estava chegando em casa aquele horário. Peguei minha filha e a coloquei na cama com cuidado, parecia estar tudo bem com o estado do bebê e ela precisava somente de alguns cuidados no rosto. No dia seguinte, ele parecia mais calmo, deu um beijo na testa de todos os filhos e saiu para trabalhar sem dar uma palavra, podia estar até irritado, mas não agressivo. Sai pra trabalhar, no final do dia, aquela mesma mãe que me atrasou estava me atrasando novamente e bem mais dessa vez, como decisão fui falar ao colégio a minha situação, o que só me atrasou mais ainda. Cheguei em casa e claramente todos estavam lá me esperando. Ele pegou meu braço com força e me trancou no quarto com ele, tirou seu cinto e enrolou na mão e começou a gritar: "ONDE VOCÊ ESTAVA MULHER? ATÉ ESSA HORA NA RUA". Ele pegou meu rosto com agressividade e a dor me fez confessar que eu trabalhava sem que ele soubesse, eu vi seu sangue ferver e suas bochechas ficarem vermelhas, o cinto veio pra cima de mim com tudo. Ele gritava: "VOCÊ DEVE ESTAR TRABALHANDO NUM PUTEIRO NÉ VADIA? EU VOU TE PROVAR QUE VOCÊ É MULHER DE UM SÓ" Eu estava completamente assustada, ele abaixou as calças e foi questão de minutos, mas minutos dolorosos, sem prazer, sem nada. Pura violência e raiva. Me encolhi na cama e não trabalhei no dia seguinte. Meu filho veio me contar que ele via o pai com outras mulheres, e eu concordei, eu também desconfiava, mas quem colocava dinheiro essencial em casa não era eu, era ele. Meu filho me contou que fumava e que podia entrar no tráfico pra ajudar com o dinheiro, claro que eu não queria. Queria gritar com toda minha força um delicioso NÃO. Mas o fato é que eu não tinha forças, então só consegui chorar. Mais tarde ao chegar do trabalho e me ver encolhida ainda disse que eu não arrumei a casa e não fiz o jantar e que além deu ser irresponsável com os filhos, eu também era incopetente. Meu filho ouvindo toda essa situação, resolveu me ajudar, me levou na delegacia de mulheres e me me convenceu (depois de muito tempo) que eu deveria denunciar o pai. Hoje em dia sou mais feliz, quer dizer, há uma lei na qual ele não pode chegar a tantos metros de distância de mim senão ele é preso assim que eu denunciar. Consegui um trabalho melhor e mais estável e dou uma vida normal para meus filhos. Meu filho conseguiu um trabalho descente e minha filha teve seu filho. Mãe solteira, mas dizem que é melhor sozinha do que mal acompanhada.
Essa história foi inventada por mim, uma história de superação de uma mulher que sofria violência doméstica, quer dizer, ninguém que sentir a dor de um tapa, de um cinto, de hematomas pelo corpo. A mulher tem o direito de trabalhar e ser indepentente, isso está na lei. Aprendi muitas coisas de como o mundo veio mudando a favor das mulheres, a presidência está acerrada a favor de uma mulher, movimentos sexuais onde a mulher exigia seus direitos e hoje em dia... Ela pode ser o que ela quiser, ela pode ser livre, ganhar o mesmo que o homem, pode sair na rua com a roupa que bem entende, pode casar ou não casar dependendo da escolha. Pode fazer o que quiser, tudo, tudo mesmo. Somos humanos, somos iguais com essências diferentes. Cor de pele, etnia, raça, línguas. Mas todos temos que ter direitos iguais.
* Nome completamente inventado, nome de mulheres de baixa renda que são as mais afetadas pela violência a mulher.
**Não é um tipo de faixetária, mas é porque eu preciso relatar alguma coisa pra ficar construtivo.

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